Fiscalização popular
Hoje o site Contas Abertas publicou as emendas parlamentares que destinaram dinheiro à compra de ambulâncias e materiais hospitalares superfaturados, esquema de corrupção descoberto pela Operação Sanguessuga da Polícia Federal.
Para quem não sabe, a quadrilha roubava dinheiro público usando o seguinte método: um grupo de empresários negociava com assessores de parlamentares a liberação de emendas individuais ao Orçamento que destinariam recursos a municípios específicos. Com a verba garantida na área da saúde, o grupo manipulava licitações e fraudava a concorrência valendo-se de empresas de fachada.
Dessa forma, o preço das licitações era superfaturado, chegando a ser 120% superior aos valores de mercado. Segundo as investigações conduzidas pela Polícia Federal, a organização negociou o fornecimento de mais de mil ambulâncias em todo o país.
Mesmo sendo tão complexo, com bases até no Congresso Nacional, acredito que esse esquema de corrupção não resistiria a uma comunidade envolvida com o controle social dos recursos públicos. Imagina esse pessoal tentando agir em Ribeirão Bonito (SP), terra da Amarribo? Seria possível que licitações tão “artificiais” passassem desapercebidas pelos olhos atentos de uma população engajada? Ao responder a pergunta você percebe a amplitude e o poder da fiscalização popular. Nem mesmo o mais complexo dos esquemas resiste ao olhar atento de um cidadão interessado em cuidar do que é seu.
Eduardo Nicholas
Equipe do A1M
PS: Se você não conhece o trabalho do Contas Abertas, vale uma visita ao site. A equipe do A1M teve essa oportunidade e hoje estuda uma parceria entre as duas organizações. A idéia é que o pessoal deles nos forneça dados sobre as contas dos municípios visitados pela Caravana “Todos Contra a Corrupção” e daqueles que fazem parte do projeto.