Campanhas às claras
As eleições estão aí. Enquanto a mídia fala dos possíveis candidatos e dos futuros acordos entre os partidos, muito discretamente a arrecadação de dinheiro para as campanhas já começou. Esse talvez seja um dos desdobramentos mais importantes em relação a esse assunto: quem financia esses candidatos? Quais são seus interesses? Como eles irão agir se os seus candidatos forem eleitos?
Para tentar ver um pouco dentro dessa caixa preta, eu recomendo ao eleitor atento uma visita site Às Claras. Trata-se de uma iniciativa da Transparência Brasil que traduz os dados sobre o perfil do financiamento das campanhas eleitorais para uso de cidadãos interessados. Lá se descrevem e se analisam as informações provenientes das prestações de contas dos candidatos à Justiça Eleitoral, referentes às eleições de 2002 e 2004.
Podem ser consultadas também informações sobre o volume e a origem dos recursos arrecadados para as campanhas eleitorais, seja individualmente para cada candidato e cada doador, seja comparando-se valores médios de arrecadação por estado, partido ou tipo de cargo. O usuário tem acesso a análises a respeito do impacto do financiamento sobre o sucesso eleitoral e quanto à intensidade das relações financeiras entre candidatos e doadores.
Vale a visita, principalmente para olhar quem financiou as campanhas de deputados que mais tarde foram cassados ou renunciaram por causa de corrupção. Num passeio rápido eu descobri, por exemplo, que o deputado Severino Cavalcanti (PP-PB), acusado de cobrar propina, gastou 63 mil reais em sua campanha de 2002. Desse montante, 30 mil (quase a metade) foram doados pelo Banco ABM Amro Real S/A. Essa mesma empresa foi a quarta maior contribuinte (também com 30 mil) da campanha do deputado José Dirceu (PT-SP), outro a perder o mandato por causa de denúncias de corrupção.
Existem outros milhares de exemplos, mas me interesso em saber agora qual postura moral devemos esperar de empresas como essa. Seria, por acaso, um pedido de desculpas do tipo “eu lamento ter ajudado a eleger um corrupto”?
Visite: www.asclaras.org.br
Eduardo Nicholas
Equipe do A1M