CPI: perguntaram obviedades, ouviram verdades estarrecedoras

Na CPI das Escutas Telefônicas Clandestinas, sessão realizada no dia 08 desse mês, o Delegado Protógenes pode não ter respondido a contento tudo que os parlamentares perguntaram, contudo, apresentou informações talvez mais importantes e mais graves do que o objeto da citada CPI e da própria operação policial em si.

O Delegado informou a existência, comprovada, da trama intitulada “Guarda-Chuva”, onde o tronco principal é constituído por uma quadrilha internacional, formada em 1992 e, as hastes secundárias desse guarda-chuva são 168 projetos a serem propostos e conduzidos à aprovação, pelo poder público, todos versando sobre exploração de recursos minerais estratégicos, um deles, por exemplo, é a transposição das águas do Rio São Francisco.

O conluio consiste em escuta, monitoramento, suborno e corrupção de autoridades públicas, além de espionagem empresarial, tudo a cargo de uma empresa internacional especializada nesses assuntos. No Brasil o representante desse grupo, segundo o Delegado Protógenes, é o banqueiro Daniel Dantas.

O Delegado comunicou também, que as comprovações desses fatos estão registradas em doze discos rígidos de computador enviados à Cia, nos Estados Unidos e os documentos com nomes das autoridades e ações da empresa internacional no Brasil estão em 250 volumes, ainda não analisados, que repassou ao seu sucessor na operação satiagraha. Protógenes disse que tais documentos podem ser requeridos para análise dos parlamentares e, ainda, se colocou a disposição da CPI para viajar aos EUA, com os parlamentares, onde poderão descriptografar os dados contidos nos discos rígidos.

Outra informação grave, relevante e preocupante dada pelo Delegado foi a existência de mais de 1.000 (mil) concessões para exploração de subsolo brasileiro, todas expedidas pelo Departamento Nacional de Produção Mineral, em nome do banqueiro Daniel Dantas. Em tom de alerta o Delegado até brincou com o presidente da CPI: “Caso o Sr. seja proprietário de terras no Brasil pode, a qualquer momento, receber a visita do Daniel Dantas, exibindo uma concessão pública para explorar o subsolo de sua propriedade”.

Tais comprovações e comunicados oficiais confirmam a existência de um grande complô internacional para dominar as riquezas naturais do País. Esse movimento foi acirrado agora com a explosão da crise financeira internacional, prevista e esperada há muito tempo.O desespero das nações “ricas” e dos donos do dinheiro virtual e podre é visível, estão ávidos para se apossarem de ativos que tenham valor real e grande potencial futuro de exploração, no caso as empresas dos setores petroquímicos, siderúrgicos, telecomunicações, minerais e terras agricultáveis brasileiras. A maioria dessa riqueza já foi vítima das desestatizações e doações a grandes grupos de empresas transnacionais a partir da “modernização do estado” iniciada na década de 90. Será coincidência de datas?

Outra coisa fica patente, a falta de autonomia e liberdade de ação dos servidores públicos para cumprir e zelar com rigor pela execução das suas atribuições legais. Tentar cumprir a lei significa entrar em choque com interesses escusos, onde prevalecem Os Escusos. Assim, para sobreviverem, sujeitam-se a serem amestrados, com hora de pegar, hora de largar, hora de fingir de morto, hora de fingir de surdo e mudo. Aqueles que saírem dessa linha sofrem as conseqüências.

Uma verdadeira desgraça que só será eliminada quando o Povo, devidamente esclarecido e atuante, começar a participar, sem medo, sem ingenuidade, sem esperteza e lutar contra o despotismo estatal e o obscurantismo. E preciso deixar de acreditar nas meias verdades da grande mídia e nas ilusões disseminadas pelos líderes ditos religiosos, e, mais, trabalhar incessantemente sem pensar, primeiramente, em dinheiro.

Ainda dá tempo.

Edimar Miguel da Costa
Contador e Professor
Filiado ao IFC

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